Sofia, Bulgária

Foram três motivos principais que nos levaram a Bulgária, no sudeste da Europa.

O primeiro motivo – WordCamp Europe

WordCamps são eventos sobre WordPress – uma plataforma que trabalhamos bastante – ao redor do mundo. Já fomos em alguns no passado e dessa vez não queríamos perder por este ser o maior na Europa. Evento de 2 dias, com diversas palestras sobre desenvolvimento, design e business que ocorreram no Palácio Nacional da Cultura. É um evento muito, muito interessante, a começar pelo baixo valor… 30 euros por pessoa com alimentação inclusa (veganos passaram bem aliás), 2 dias de muitas palestras.

O segundo motivo – sair do espaço Schengen

Que * é essa? O acordo Schengen é uma convenção entre diversos países europeus sobre uma política de livre circulação de pessoas entre os países signatários deste acordo. Nós, brasileiros sem mordomias de possuir outro passaporte, podemos ficar 3 meses em qualquer (quaisquer) desses países em um intervalo de 6 meses, com o visto de turista. Como nosso planejamento para a Europa excede os 3 meses, decidimos passar um mês inteiro na Bulgária, que ainda não faz parte desse acordo.

O terceiro motivo – não menos importante

Quem achava que o terceiro motivo seria porque a Bulgária é o país da família da Dilma, se enganou. Sófia, capital da Bulgária, teoricamente é uma das cidades “baratas” da Europa. E, realmente, sentimos na pele algumas coisas quando comparávamos com a Alemanha e até com o Brasil.

Acomodação

O mais “caro” foi a acomodação, que ainda assim era barata em relação a Berlim, por exemplo. Como não tínhamos conhecidos para dar dicas (algo que tivemos em Berlim), ficamos em um hostel, o Hostel Mostel. Esse hostel foi bem bom, em torno de 47 reais por dia pelo quarto duplo. Esse valor é com quase 50% de desconto por ficar um mês inteiro e tínhamos um quarto privativo, compartilhando banheiro e uma pequena cozinha, internet fantástica (algo incomum para hospedagens). Sem contar que a equipe do hotel é absurdamente simpática. Talvez o mais difícil para um brasileiro se adaptar neste hostel (e em vários da Europa) seja o tamanho das toalhas de banho, que mais se parecem com toalha de rosto :p.

Neste hostel, conhecemos um casal suíço que estava fazendo uma viagem de bicicleta (estilo Tandem), saindo da Suíça em direção a Turquia. São meses de viagem. A conversa com eles foi inspiradora. Blog deles, em francês (mas com ajuda do Google translator, dá pra ter uma ideia): http://tandem.850.ch.

Idioma

O Búlgaro é o idioma oficial, mas muita gente fala inglês. A maioria dos atendentes falava bastante bem e, eventualmente em feirinhas ou mercados pequenos, não tínhamos essa facilidade. Com algumas mímicas resolvíamos a questão, mas complicava ao negar ou afirmar qualquer coisa (veja Sim e Não, Não e Sim).

Comida

Alguns restaurantes vegetarianos, alguns veganos. Provamos diversos e o que ficou em nosso coração foi o Vegan Kitsch, pequeno local, em que quem nos atendia era quem cozinhava, então era um prazer poder questionar a comida, elogiar, diretamente para a fonte. Sopa todos os dias e alguns lanches, tipo sanduíche, burger, banitsa. Banitsa é uma comida tradicional búlgara (a primeira foto). Saía em torno de 25 reais o almoço para nós dois.

sofia-taratorAlém disso, provamos em um outro restaurante uma sopa chamada Tarator, super típica, feita com pepino e iogurte salgado (com suas versões veganas), que se come fria. Parece bizarro e, justamente por isso tivemos que provar. E adoramos!

Búlgaros são apaixonados por pimentão. Eu sempre tive um relacionamento conturbado com esse vegetal, mas esse tempo em Sófia fez com que eu ficasse em paz e me apaixonasse por ele. E não uma paixão qualquer, mas aquela de comê-lo cru. Na feira que comprávamos vários vegetais (conhecida como Women’s market), a oferta de pimentões era gigante, diversos tipos e a maioria com preços bons. Essa feira tem uma peculiaridade em que, na maioria das bancas que fomos, não podíamos escolher os vegetais. Até tentamos e fomos xingados veementemente. Tudo em búlgaro, mas sacamos a expressão que viramos as costas e fomos em outra banca, mas dessa vez preparados em pedir a quantidade que queríamos e, normalmente em mímica, por não falarem inglês. A maioria dos atendentes eram meio mal humorados, mas um que outro compensava o mal humor dos outros e, mesmo não conseguindo conversar direito com a gente, tentavam ser simpáticos. Reparem na terceira foto abaixo… um resto de marmita na rua que, pelo visto, era algo com arroz, e um pimentão mordido ao lado. Companheiro fiel.

Outro item indispensável em restaurantes, mercados, feiras: azeitonas. Muitas. Diversos tipos. Além disso, a cultura de sobremesa crua (“raw”) era bem intensa, pelo menos nos locais vegetarianos. Por essas, era fácil encontrar gostosuras veganas, feitas de tâmaras e outras frutas secas e castanhas. Castanhas por lá conseguiam ser quase mais baratas do que no RS, especialmente as de cajú e amêndoas. Comíamos todos os dias.

Generalidades e Curiosidades

O centro de Sófia é pequeno, é fácil turistar em 2 dias. Mas sempre curtimos sentir um pouco mais da essência da cidade… de ir em feiras locais, repetir restaurantes para testar a simpatia de quem nos revê, conhecer os supermercados (para entender um pouco dos produtos populares), aprender palavras no idioma local (e alfabeto) e por aí vai.

Búlgaro é um idioma que me pareceu mais fácil de aprender a falar e entender do que Tailandês, por exemplo. Os sons pareciam mais fáceis de imitar, sem sons muito atípicos. Aí a pior barreira seria encarar o alfabeto.

Muitas igrejas na cidade. A Church of St Petka of the Saddlers chamou a atenção por ser uma mini igreja, medieval ortodoxa que foi pintada no século XV. Ela era enterrada parcialmente, para que ficasse com pouca altura. A obra foi feita na época da ocupação Otomana e existia uma lei que as construções não poderiam ser mais altas do que a altura de um soldado em seu cavalo. As paredes tem 1 metro de espessura, isolando completamente o barulho das grandes avenidas ao redor. Quando fomos lá tinha uma espécie de padre falando com algumas pessoas e ele era meio intimidador… fazia uma combinação um pouco perturbadora com aquela aparência medieval do local, o silêncio e as imagens de santos decapitados.

E também a Catedral Sveta Nedelya, que teve sua construção iniciada no século X mas passou por diversas reconstruções ao longo do tempo. É também católica ortodoxa e é “mais turística” do que a pequena igreja citada acima.

A qualidade das calçadas daqui é inacreditavelmente horrível. Carregar malas de rodinhas é de matar. Inclusive, em um pequeno guia turístico da cidade, esse é um ponto que eles realçam, dizendo para não “flertar” na rua porque senão corre o risco de tropeçar em um dos inúmeros buracos (sim, piadinha).

Um ponto turístico interessante é o Central Mineral Bath. Até 1986 as piscinas estavam abertas para os banhos públicos e foram fechadas por questões estruturais. Mas as fontes são mantidas em pleno funcionamento, com água mineral quente. A temperatura é digna para um chá e, dizem, que tem um gosto sulfuroso (não provei). Muitos nativos vem de longe com garrafões para pegar essa água que acreditam trazer benefícios extras para a saúde, apesar da água encanada deles já ser muito boa (e ultra gelada nessa época do ano).

Exposição The Protesters, com diversas fotos tiradas no Brasil.

Altamente popular, os diversos estabelecimentos comerciais praticamente no subsolo:

Ruas de Sofia e comidas, em geral:

Sim e Não, Não e Sim

A maior confusão mental possível: Quando algum búlgaro quer dizer sim, mexe a cabeça para os lados (similar a nossa negativa) e, quando querem dizer não, fazem com a cabeça para cima e para baixo. Não que usaram muito com a gente, talvez por saberem que isso pode ser bem complicado para os turistas, mas eventualmente nos deparamos com isso e era extremamente confuso. Tente fazer esse exercício. Fale (e pense afirmativamente) “sim”, mas mexa a cabeça como o “não” e vice-versa. Para mim é algo que vai um pouco além de minhas capacidades (sem um árduo treinamento).

 

1 Response

  1. Livino Kunst says:

    Parabens pelo relatorio e fotos muito bonitas .

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