Entrando em Laos – slow boat

Chiang Rai é uma ótima cidade para fazer uma parada antes de atravessar a fronteira da Tailândia com Laos.

Pagamos em torno de 20 reais por pessoa (220 THB) para pegarmos um ônibus em uma das rodoviárias de Chiang Rai para cruzarmos a fronteira com Laos, até a cidade Houay Xai. Ônibus praticamente vazio, 4 pessoas para 3 horas de viagem.

Na fronteira, primeiro precisamos descer do ônibus para carimbarmos a saída da Tailândia em nosso passaporte. Nesse momento algum oficial já tenta nos lograr, oferecendo para trocar Baht por Dólar, pois ele conseguiria com uma melhor cotação do que na imigração de Laos. Negamos, por sentirmos cheiro de malandragem e ficamos satisfeitos por isso ao chegarmos na imigração, pois vimos que ele realmente estava mentindo para embolsar um troco extra.

Após o carimbo de saída, voltamos ao ônibus por mais alguns poucos minutos até a imigração. Nesse meio tempo ficamos no limbo, pois não tínhamos visto de nenhum lugar. Então, chegamos no prédio da imigração, tivemos que preencher um formulário com informações básicas (nome, passaporte, endereços, previsão de saída), entregarmos uma foto pessoal e pagarmos uma taxa equivalente a 30 USD por pessoa mais 1 dólar que eles cobram por ser final de semana.

E pronto, ganhamos um visto de 30 dias.

O ônibus nos largou na rodoviária da pequena cidade da fronteira. Pegamos um Tuk Tuk (espécie de taxi, maiorzinho que os Tuk Tuks da Tailândia) em direção ao centro, dividindo com um casal francês que conhecemos na imigração.

Banheiro lindo

Nos hospedamos em um lixo de guest house, chamada Friendship Guest House. Muito tosca mas, pelo menos, metade do que pagávamos em Chiang Mai. Para ter uma ideia, a pia tinha um grande balde em baixo, para o escoamento ir para ela, não indo diretamente para o esgoto. Mas, deu pra dormir uma noite tranquila até.

Internet nível zero nessa cidade, mesmo tendo comprado um chip de 3g, não conseguimos conexão. Que sensação de desamparo.

Comida vegana em Huai Xai não foi fácil de acharmos, mas encontramos um restaurante com uma pizza vegana que nos salvou. Era simples, não muito nutritiva, mas boa. Sem contar as dezenas de banana que comemos…

Entrando no Slow Boat

Entrando no Slow Boat

No outro dia de manhã, estoque de salgadinhos, castanhas, bananas, maçãs e embarcamos em um barco rumo a Luang Prabang. Se chama de Slow Boat, por ser uma viagem de dois dias, dividida em torno de 6 a 7 horas por dia. A viagem se dá através do rio Mekong, que faz divisa com a Tailândia uma boa parte do trajeto. O barco estava repleto de turistas, já que essa travessia se tornou famosa. E em maioria, eram franceses.

slowboat-bagagens

Onde se guarda as bagagens

De início, Thiago e eu estávamos inseguros se devíamos ir de Slow Boat realmente. Temos mais malas do que mochileiros convencionais (pois nossa ideia inicial nunca foi de ser mochileiro) e tínhamos visto algumas fotos das entradas e saídas dos barcos, nos parecendo complicado em ter algo a mais do que uma mochila. Mas resolvemos encarar. Ao entrar no barco as bagagens de todos vão sendo acomodadas numa parte de baixo do barco (conforme imagem ao lado), o que já resolvia uma de nossas angústias. E, nas futuras escadarias ao sair do barco nos deparamos com a boa vontade de outras pessoas no barco que ajudaram a carregar nos lugares mais enlameados.

Aliás, ponto interessante para quem um dia resolver fazer essa viagem: não aceite, mesmo pagando, ajuda de nativos para carregar suas bagagens. Li alguns relatos de pessoas que aceitaram a ajuda e nunca mais viram as malas. Nos ofereceram, claro, mas negamos por via das dúvidas.

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Melhor que Polar (sem xingamentos)

Teve uma parada em uma cidade pequena chamada Pakbeng. Como chegamos a tardinha é só o tempo de brindar com uma Lao Beer (garrafa grande de cerveja boa por menos de 3 reais… perdição), comer algo no único restaurante com opções veganas que encontramos e dormir. O restaurante é um indiano, com comida muito boa e mesinhas tranquilas. Só não é muito legal olhar pra dentro da cozinha deles… A hospedagem foi confortável o suficiente e ficamos felizes de termos conseguido acessar uma wifi por uma meia hora.

E lá vamos nós para o terceiro dia praticamente sem internet (tremores). O segundo dia de barco achei mais chato, acho que porque as paisagens – por mais interessantes que sejam – ficam bem repetitivas e terminei meu livro logo no início da viagem.

Foi bem interessante ver os nativos pescando na beira do rio, embarcando e desembarcando de pequenos barcos usados, pelo visto, diariamente, crianças peladas tomando banho no rio, abanando e sorrindo para nós.

Ao chegar em Luang Prabang tivemos que ter paciência pois todos nós do barco fomos vítimas de uma pilantragem inevitável. Os Tuk tuks da região não deixam mais o barco chegar a área central da cidade, permitindo que pare 10 km antes, para então nos vender esse serviço. O custo era de 20 mil kips (em torno de 6 reais por pessoa) mas deu mais raiva ainda quando nos largam no meio do centro e não onde tínhamos a hospedagem reservada. Por sorte havia uma cafeteria quase em frente e fomos ali para repor as energias e usar a internet deles para nos encontramos na cidade.

Por falar em pilantragem, algo relativamente comum é oferecerem maconha aos turistas. De canto, alguém te oferece. Dizem que, se tu aceitar e comprar, pouco mais a frente alguém aparece dizendo que vai chamar a polícia se tu não pagá-lo. Consumo de maconha em Laos é completamente proibido e pode ter penas pesadas.

Mais detalhes de cruzar a fronteira entre a Tailândia e Laos podem ser vistos no post da Tina (em alemão).

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6 Responses

  1. Daiane says:

    Sabe que pelas fotos as paisagens lembram muitissimo o Pará!
    A agua barrenta, a mata fechada, o calor… aquela vista da guest house não é nada diferente da vista que eu tinha no marajó…
    Quero saber quem tirou aquelas fotos de vcs no barco e o que é aquela estrutura escavada na pedra!

    beijãooooo

  2. Daiane says:

    hahahahha, sempre acho divertido confirmar que não sou spammer!

  3. Taís Ferreira says:

    Tô adorando a leitura! Nada melhor para uma convalescente: fazer planos de viagens inspirada nos textos! besos, Zana!!!

  1. 31 de October de 2014

    […] Outro detalhe, como em vários países da Europa, existe uma descriminalização da maconha e uma certa liberação. Essa foto ao lado foi em uma loja com diversos produtos medicinais e terapêuticos. Além disso, em tudo quanto é mercadinho, inúmeros produtos que utilizam a maconha para chocolates, biscoitos, licores… com a folha gigante no rótulo. Mas parece que nenhum desses produtos tem o princípio ativo. Ou seja, ninguém se chapa. Enfim, é uma relação diferente que cada país tem com um mesmo produto (vide Laos). […]

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