Roubando bike em Berlim

Como foi roubar minha primeira bicicleta em Berlim.

(Esse post vai fora de ordem devido às tantas emoções. Depois explico como chegamos onde estamos…)

Estamos em Berlim e, logo em nossa primeira semana conseguimos comprar bicicletas usadas… sai mais barato do que ficar pagando transporte público e a liberdade e prazer de andar em uma cidade repleta de outras bikes é impagável.

bike2Achamos pelo Craiglist uma velhinha, mas funcionando, de 45 euros. Comprei um cadeado de 5 euros e estava feliz da vida. Um cadeado médio, pois pensei que uma bike tão velha ninguém iria se esforçar em roubar. Thiago pegou uma bike melhor, de 80 euros, já com um bom cadeado.

O começo da saga

Ao passear um dia desses consegui a façanha de furar 2 vezes o mesmo pneu em questão de 20 minutos. A primeira vez paguei para alguém trocar (lá se foram 18 euros) e depois compramos o material (6.5 euros) e fomos nós mesmos trocar na casa da Lilian, nossa amiga brasileira que está morando aqui e nos deu super força. Pneu trocado, sensação de vitória de fazer com as próprias mãos.

No outro dia…

Em plena tarde, furtam minha bicicleta na frente do prédio que estamos morando, destruindo o cadeado. É uma área bem residencial no bairro Neukölln, com diversas bicicletas presas na grade do prédio, mas a minha foi a escolhida.

Fui dormir com mágoa, rancor e frustração…

No outro dia…

Acordei num lindo e ensolarado dia e, ao voltar de uma caminhada, vi na rua a minha bicicleta pintada (mal e porcamente) de spray azul. Fico um tempo abobalhada não acreditando que o moleque estava mexendo na bike exatamente na frente do prédio que a coitada foi roubada. Subi correndo o prédio para pedir para o Thiago abordar comigo o rapaz, já que existe limite para a coragem quando estou sozinha e alguém que quero abordar tem uma chave de fenda na mão. Mas já era tarde demais.

No outro dia…

Não aconteceu nada… foi um dia normal, apesar da minha piração e ficar procurando bikes azuis e até sonhar que a encontrava.

No outro dia…

Ao sair de casa, vimos a poucos metros daqui a bendita em um poste:

bike-chao

Abordamos três pessoas ali perto, com um “Sprechen Sie Englisch?“, que nada mais é do que a pergunta da salvação. Falando inglês, não precisamos de mais nada. Um senhor falava inglês (algo raro). Explicamos nossa situação e ele disse algo como: “Peguem, é de vocês, nada mais justo do que pegarem”. Então começamos a tentar romper com o cadeado e só com as mãos não foi possível. As pessoas que estavam ali nos emprestaram um martelo – única ferramenta disponível. Enrolamos o cabo do martelo no cadeado da bicicleta e fomos torcendo até arrebentar. Vários adolescentes jogando futebol no campo em frente… provavelmente o “dono” da bike estava lá, mas não foi louco de tentar nos impedir.

bikeFomos para a casa com uma sensação de frustração amenizada, mesmo tendo a buzina e freio dianteiro quebrados, algumas partes tortas e vários outros detalhes que talvez sejam só estéticos. O azul do spray saiu ridiculamente fácil, com um pano úmido. Obviamente a coloquei no quarto agora e vai ser necessário aplicar alguns bons minutos de manutenção. Vamos lá baixar manual de como consertar bikes.

E assim termino o dia em que, mesmo vítima, consegui ser ladra da minha própria bicicleta.

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6 Responses

  1. Marshal disse:

    Maravilhoso relato, apesar da situação inusitada! Quantas histórias vocês estão acumulando nesta jornada, hein?! Muito bom poder acompanhar. Se cuidem, abração!

  2. Dai e Rafa disse:

    Uhuuuuuuuuu, isso aeeeeee!!!!!! Estamos aqui vibrando pelo desfecho da historia!!!! Que massa!!!!!!!

  3. Taís Ferreira disse:

    HAHAHHAAHHAHAHAH arrasaram!!!!

  4. gui lito disse:

    GENIAL!!!! hahahah valeu mt essa história

  1. 5 de outubro de 2014

    […] meio tempo compramos, perdemos, roubamos (entre aspas) bicicleta em Berlim. Essa cidade é fantástica para viver de bike. Seja de dia ou sair a noite, a bicicleta é o […]

  2. 14 de outubro de 2014

    […] – Não é lei formal, mas lei consensual: compre o melhor cadeado possível… o furto de bicicletas em Berlim é gigante. Senti na pele. […]

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